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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O CÍRCULO DA VIDA

 
 
No tempo da primavera,
era, ainda, uma criança,
e meus sonhos me diziam
que a vida não tinha fim.
Os horizontes do mundo,
para meus olhos se abriam.
como flores da inocência
colhidas no meu jardim.
 
Veio, em seguida, o verão
e as flores deram seus frutos,
cada qual com seu perfume,
sua forma e seus sabores.
Era o tempo de provar
os mistérios da existência,
conhecer o bem e o mal
e, também, muitos amores.
 
Depois, chegou o outono
trazendo novas mudanças,
tempo de folhas caindo
e cuidar do que restou.
As ilusões se perderam
e a juventude passou.
Tempo de muitas perguntas:
Quem sou? Por que? Onde vou?
 
No inverno, quando veio,
vi a terra embranquecer
escondida sob a neve,
como se fosse morrer.
Mas, no círculo da vida,
todo fim é um recomeço
e, por isso, a primavera
sempre volta a florescer.

ELIANA MUMIC FERREIRA
 
 
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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

AMOR

                                                                    

                                                                                                               
 
O que é o amor?
Mistério de um perfume,
segredo de uma essência
que resume
a alquimía da vida
e do universo.
Regidos pelo amor,
em harmonia,
os astros executam,
no infinito,
as mais belas
e eternas sinfonias.
Em busca desse amor,
pelas calçadas,
a multidão caminha,
mascarada,
como arlequim
buscando a colombina.
Na ânsia do prazer
insatisfeito,
temendo a solidão
dentro do peito,
abraça as ilusões
comprando sonhos,
vendidos nos mercados
das esquinas.
O amor, porém,
escapa de mansinho
e voa, como as águias,
para o ninho
guardado pelos anjos
do mistério.
Porém, o que impede
o ser humano
de ter acesso
à terra prometida,
ao cálice sagrado,
ao vinho novo,
ao reino dos céus,
à árvore da vida?
Quem sabe,
como nos contos de fada,
sejamos a princesa
enfeitiçada
por bruxas e poções
desconhecidas
e, no final,
o amor tão desejado
chegando qual
um príncipe encantado
desperte, enfim,
a bela adormecida.
 
ELIANA MUMIC FERREIRA
 
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A Poesia de Eliana Mumic Ferreira                               AMOR

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

POEMA À VIDA

 
POEMA À VIDA
 
Se vale a pena vier?!
A existência é um sonho
às vezes doce e tão belo
e, às vezes, nos faz sofrer.
É como águas de um rio
correndo sem descansar,
vencendo seus desafios,
seguindo em busca do mar.
Contempla em torno de ti
as noites de lua inteira
e quando o dia desperta
sente a paz do amanhecer.
Nossa vida é uma criança,
nos palcos da natureza,
exibindo em suas danças,
travessuras de menina.
Aproveita, pois, a luz
do dia que te foi dado,
olha as estrelas, no céu,
vê a beleza dos prados
e sente que a natureza
é um presente de Deus.
Esquece aquela ferida,
de mágoas, sem cicatriz,
quem perdoa se liberta
para amar e ser feliz.
Conserva no coração
a fé, o amor e a esperança,
vê as flores, sente o vento,
o céu, as nuvens, as águas
e abraça a felicidade
agora, neste momento.
Nossa existência é um sonho,
um sonho breve e dourado:
vive teu sonho e não deixa
que acabe sem ser sonhado.


ELIANA MUMIC FERREIRA

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A POESIA DE ELIANA MUMIC FERREIRA









POEMA À VIDAA POESIA DE ELIANA MUMIC FERREIRA

AMOR E EGOISMO

         
             AMOR E EGOISMO
             
           O amor é gentil
           e, ao chegar,
           pede licença
           dizendo:
           posso entrar?
           Suave e delicado,
           sutil qual um perfume,
           faz sentir sua presença,
           mas penetra sem forçar.
           O amor
           não tem ciúmes,
           não duvida,
           não reclama,
           ele nunca se permite,
           ser fingido ou enganar.
           É fiél e solidário
           dando paz e harmonia,
           na saúde e na doença,
           na tristeza e na alegria.
           O amor é verdadeiro,
           é leal e sempre amigo,
           e jamais nos abandona
           em momentos de perigo.
           Pelos frutos que produz,
           no amor se pode crer
           e a ele se entregar
           sem receio de o perder.
 
                                                     O egoísmo, porém,
                                                     é atrevido,
                                                     é ousado e exigente
                                                     mas, contudo, sedutor.
                                                     Aparenta o que não é,
                                                     não assume compromissos,
                                                     quando há necessidade,
                                                     faz de conta que não vê.
                                                     Ele invade o seu espaço,
                                                     Mas não sabe querer bem,
                                                     pede beijos, quer abraços,
                                                     mas não gosta de ninguém.
                                                     Sempre acha que é o tal
                                                     e adora o tempo inteiro
                                                     ser o centro do universo
                                                     e, também, ser o primeiro.
                                                     Mas bajula, fica perto,
                                                     quando isso lhe convém.
 
                                                     No templo co coração,
                                                     ao profano não condiz
                                                     pisar o solo sagrado
                                                     e penetrar o sacrário.
                                                     Ao egoísmo conceda,
                                                    o seu lugar de aprendiz
                                                    e o amor, pelo contrário,
                                                    deixe entrar e ser feliz.



Eliana Mumic Ferreira
 
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A Poesia de Eliana Mumic Ferreira                                AMOR E EGOISMO

INFINITUDE


 
 
Diante do mar
sentí-me, de repente,
um grão de areia,
olhando a imensidade
e o mar, ao me sentir,
falolu comigo:
julgar-se,
desse modo,
é o castigo
de quem não percebeu
sua verdade.
Eu tenho minhas gotas,
disse ele,
e até na mais pequena
eu existo,
com todas as virtudes
do meu ser.
Também, és uma gota
do infinito
e tens, dentro de ti,
os requesitos
de quem te imaginou
para viver.
 
Eliana Mumic Ferreira
 

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A poesia de Eliana Mumic Ferreira

 
INFINITUDE

QUEM

 
Quem dá à flor
a cor e o perfume,
quem sonha na criança
que adormece,
quem brilha
no pequeno vagalume
e oculta a luz do sol
quando anoitece!
Quem tece
sobre as nuvens
do poente,
auréolas,
como colchas de retalhos,
quem põe pequenas jóias
cintilantes
nas folhas salpicadas
pelo orvalho!
Quem dorme na beleza,
tão serena,
da lua refletida
sobre um lago;
quem sopra nesta brisa,
tão amena,
que ondula a plantação
com seu afago!
Quem veste o beija-flor
com tanto brilho
e brilha nas estelas,
pelo espaço;
quem ama quando a mãe
segura o filho
bem junto ao coração,
no seu abraço!
Quem dá
ao ser humano
a liberdade
de escolher e prova
a inconsistência
da luz sensorial,
até que exausto,
desperte para a luz
da consciência!!
É a pedra de tropeço
de quem  nega,
não sente
nem procura perceber,
a essência do universo
e a grandeza,
da fonte, vida eterna,
do seu Ser.
 

Eliana Mumic Ferreira

 

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A Poesia de Eliana Mumic Ferreira                                                                         QUEM

TEMPO DE SER


Quando, sem razão
sentir-se triste,
ouvindo aquela voz
que sempre insiste,
dizendo que a vida
é uma ilusão,
dizendo que o amor
já não existe.

Quando, de repente
e sem motivo,
andando pela rua
e, no caminho,
sentir a sensação
de estar sozinho
no meio de uma
gande multidão.

Quando, em solidão,
sentir-se aflito,
ouvindo a voz da alma,
qual um grito,
querendo ver além
das aparências,
a causa e o sentido
da existência.

Quando, entre milhões,
ouvir o mundo
dizendo: eu tenho tudo!
E lá no fundo,
ouvir aquela voz
que sempre diz:
se tem, por que, então
não é feliz?

Preste atenção
e ouça, no estribilho,
as vozes, lá no fundo,
repetindo
que no tempo de Ter
reduz-se o brilho,
quando o tempo de Ser
está surgindo.

Contemple o novo céu
e a nova terra,
que estão a renascer;
a sua nova vida
que descarta,
casulos e muletas,
deixou de ser lagarta
e, agora, é borboleta!

ELIANA MUMIC FERREIRA

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 A Poesia de Eliana Mumic